terça-feira, 3 de abril de 2012

Filosofia da Religião



Autor: Ademilson Marques de Oliveira

Fenomenologia da Experiência Religiosa Rudof Otto e Mircea Eliade

 

Sabemos da importâcia de investigar a fenomenologia da experiência religiosa a partir de elementos que sejam comuns às religiões, tal como procede Rudof Otto e Mircea Eliade. Que tal falar deles?

 

Rodolfo Otto foi Filósofo, Teólogo e Historiador das Religiões. Influenciado por Kant, Otto negava que os conceitos pudessem ser aplicados a Deus, mas, um tanto paradoxalmente, apresentou uma teoria da experiência religiosa, onde fala do contato com uma realidade bastante peculiar, à qual ele deu o nome de "luminoso".

Para Hegel, a religião é a "consciência do infinito", sendo, portanto, um a redução da religião ao que está ao seu alcance da razão. Para Otto, o racionalismo hegeliano e a tradição filosófica que buscava compreender Deus por meio de conceitos racionais são incapazes de exprimir a infinitude de Deus e de descrever corretamente o fenômeno religioso.

Otto entende que a filosofia da religião deve buscar uma compreensão que exprima melhor o que é especificamente religioso e não reduzir a religião a outros tipos de realidade ou atividades humanas.

O sentimento religioso é o sentimento do numinoso, e apenas secundariamente, é o sentimento de mim como criatura dependente do criador.

Já Mircea Eliade apesar de respeitar a opinião de Otto, ele propõe que nos ocupemos do "sagrado

em sua totalidade" e pretende fazê-lo indicando que o sagrado deve ser entendido por oposição ao profano.

Para esclarecer bem o papel central do sagrado, Eliade cita um exemplo, onde mostra o contraste entre o sagrado e o profano, no caso da análise do tempo. Segundo ele, o tempo para o homem religioso não é nem homogêneo nem contínuo. Do ponto de vista religioso, o tempo sagrado, o das festas periódicas, define-se em contraste com o tempo profano, que é o da duração temporal ordinária. Por outro lado, o tempo sagrado é reversível, é a ritualização de um evento sagrado que aconteceu num passado mítico, num começo que se deu por conta da ação dos deuses.

Para Eliade, também o homem não religioso conhece descontinuidade no tempo. Nesse sentido, a distinção sagrado/profano tem uma forte dimensão ontológica, pois, para o religioso, o sagrado é real por excelência, enquanto o profano existe de modo derivado e residual, ou seja, o profano é apenas aquilo que sobra, tirando-se o sagrado, aquilo que realmente importa.

Otto e Eliade têm vários pontos em comuns e várias diferenças também. Um dos principais pontos em comum é que ambos partem do ponto de vista religioso para compreender o que é a religião.

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