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Mostrando postagens de abril, 2012

Sartre: A liberdade e a existência humana em destaque

Autor: Ademilson Marques de Oliveira Para Sartre, nada pode esmagar o homem, nada lhe vem de fora, ou de dentro, que deva simplesmente aceitar ou receber. O homem não tem uma natureza que deva necessariamente seguir. O homem não é um ser, mas um fazer e a sua única condenação é a de ter de se fazer até os seus últimos detalhes. Todo o "sartrismo" parece está baseado num enorme equívoco, numa leitura deficiente ou má compreensão da obra da Heidegger. É o próprio Heidegger quem observa em seu trabalho "Carta sobre o humanismo": "Sartre enuncia o princípio fundamental do Existencialismo da seguinte maneira: a existência precede a essência. Toma, portanto, existência e essência no sentido da metafísica que, desde Platão, afirmava que a essência precede a existência. Ora, a inversão de um enunciado metafísico continua a ser um enunciado metafísico. com isto, ele se aprofunda no pensar metafísico do esquecimento do ser". Parece que Sartre em lugar de inte...

Além das Ideias: O Realismo Platônico como Fundamento da Realidade

Autor: Ademilson Marques de Oliveira Diferente de Descartes, que define ideias como atos do pensamento, e do conceito de Kant, que diz que ideias são meros entes do nosso pensamento, ou entes da razão. A ideia platônica é algo real. Mais do que isso: as ideias platônicas são o que há de mais real, são os princípios supremos de toda a realidade. As ideias platônicas são realidades supremas, que contém as formas das coisas sensíveis. Elas são protótipos que encerram em si o sentido mais próprio de tudo quanto percebemos. Segundo Platão, nada do que está sujeito à geração e à corrupção pode constituir o ser das coisas em sentido mais próprio. Podemos dizer que as coisas que percebemos têm um ser, mas não é o ser. O devir só é enquanto vem a participar das ideias. Platão atribuiu as suas ideias a um estatuto de realidade transcendente, da mesma forma como Sócrates considerava a alma. Segundo Platão a ideia só pode ser aprendida por aquilo que em nós lhe é mais semelhante, isto é,...

A Contribuição de Sócrates para a História da Metafísica

Autor: Ademilson Marques de Oliveira A contribuição de Sócrates para a história da Metafísica é tanto negativo quanto positivo. A diferença entre esses dois pontos é que analisando o lado negativo percebemos que Sócrates não aceita a Teoria dos Físicos, fazendo assim seus sucessores, principalmente Platão e Aristóteles, que foram ousados aos buscar os princípios supremos das coisas além da natureza corpórea, abrindo caminho para o conhecimentos suprassensíveis.  No entanto, a doutrina da alma de Sócrates apontava para uma visão nova e transcendente, na medida em que a alma socrática transcende o corpo, como uma entidade sobre natural e, ao menos incorpórea.  A partir da tese apontada por Sócrates sobre a Metafísica, Platão introduziu seus próprios pensamentos, numa perspectiva espiritualista totalmente nova, e é nela que Metafísica surgirá com todas as suas cores, num legado imortal para a história da disciplina.  Porém, não podemos negar um forte apelo ét...

Indivíduo versus Gênero: Nietzsche e Freud sobre a Vontade de Vida e a Ilusão Religiosa

Autor: Ademilson Marques de Oliveira Nietzsche e Freud adotam como ponto de partida o ser humano como indivíduo e não como gênero antropológico ou conjunto de relações sócio-econômico-políticas. Para Nietzsche, a religião cristã acaba enfraquecendo a vontade da vida ao enfatizar o sofrimento e disseminá-lo por meio da compaixão. Além disso, o incentivo a um comportamento de ovelhas de rebanho também acaba levando a uma fraca de vida, que não afirma a vontade diante do nada, mas se acovarda no medo e na culpa. Também a valorização da vida após a morte acaba servindo ao propósito de enfraquecer a vida. Esse tipo de deus que não responder ao niilismo e que promete uma solução redentora para todos, mas que nunca acontece, segundo Nietzsche, estaria morto. Para Freud, a religião teria sido uma forma importante de reprimir os instintos destrutivos dos indivíduos e que poderiam destruir a capacidade humana da vida em sociedade. Na medida em que isso é vital para a espécie, a religião ...

Marx e a crítica da religião: quem é Deus para Marx?

Autor: Ademilson Marques de Oliveira Marx entende que a essência humana não constitui uma realidade. Ele afirmava: que a miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o íntimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. É o ópio do povo. Para ele a crítica da religião de Feuerbach permite ao homem reconquistar a razão, afim de que ele gire em torno de si mesmo e não mais de um Deus que não existe, mas de seu verdadeiro sol. Para Marx, a miséria real não é a que decorre da perda de uma essência projeta num Deus que não existe. Para ele, de fato, Deus não existe, e a religião não decorre disso, mas das condições materiais de produção da história, que geram um mundo invertido que valoriza as coisas e desvaloriza as pessoas. A religião é parte dessa visão invertida do mundo, mas apenas como consequência. Ela é uma ideologia que legitima a ordem capitalista ao entorpecer a consciência revolucionária da ...

Consciência de Si - Superando a Opressão Religiosa segundo Feuerbach

Autor: Ademilson Marques de Oliveira Segundo Feuerbach, a religião se torna fonte de opressão e deve ser superada pela tomada de consciência de si mesmo pelo ser humano. Para ele, é preciso superar a religião como busca de relacionamento com deus enquanto realidade transcendente.  Feuerbach acredita que devido a religião ser invenção humana, ela aliena o homem de si mesmo, pois a essência do homem é primeira projetada em Deus, para depois ser reconhecida pelo próprio ser humano por essa via indireta.  Deus não é mais do que uma projeção de nossa essência genérica, na qual se concentram todas as qualidades humanas em sua forma mais perfeita. a essência do homem está nos seus mais altos poderes: a razão, o amor e a vontade, que são aquilo que o distinguem e que dão o sentido de sua existência.  Portanto, para Feuerbach, a realização humana pressupõe a superação da alienação religiosa por meio de uma tomada de consciência de sua própria realidade essencial.  Ao com...

Desconstruindo a crença: Um olhar sobre o ateísmo e a negação do Divino

Autor: Ademilson Marques de Oliveira O ateísmo é simplesmente a negação do teísmo. Se Tomarmos o teísmo com a afirmação da crença em Deus, temos que ateísmo é a negação da crença de Deus existe. Para o ateu, pelo o fato da crença em Deus não corresponder a uma realidade, ela é simplesmente falsa. Se há muitas compreensões de Deus, então há também muitas maneiras de se negar a crença em Deus. Pressupondo-se que um determinado credo religioso rejeita o modo como Deus é concebido por outro credo, então é possível ser religioso e ser ateu nesse sentido. Em termos amplos, pode-se considerar o ateísmo a negação do divino, de qualquer visão de mundo religiosa que procure relacionar, por meio de um caminho de reconciliação ou salvação, os seres humanos a uma realidade tida como não meramente humana, uma realidade divina. Esse componente geral é que está pressuposto na tese de que a irreligiosidade é um fenômeno cultural raríssimo na história humana e bastante evidente no nosso tempo. ...

Ser e Aparência na Política: Uma Reflexão na perspectiva de Hannah Arendt

Autor: Ademilson Marques de Oliveira Segundo Hannah Arendt, a separação platônica entre o ser e a aparência marcou um passo histórico que não se limitou à experiência grega, mas se propagou por toda a civilização ocidental.  A desvalorização da aparência como o lugar do não ser e a afirmação do ser como oposto ao aparente marcaram de forma decisiva o pensamento ocidental. No entendimento de Arendt, não há uma identidade política inata, não somos seres políticos por natureza. A ação política pode ou não surgir entre nós, ao contrário das abordagens de Husserl e Heidegger sobre a dimensão do outro.  Para Arendt, a ação política é sempre uma interação com os outros. A construção do ser político em Hannah Arendt ocorre no espaço público, onde a ação política se manifesta e onde a pluralidade humana se estabelece. Portanto, a interação com os outros é fundamental para a constituição da identidade política de cada indivíduo.  Segundo Arendt, a política não é apenas um meio par...

Política e Direito na Modernidade: Agamben versus Foucault

Autor: Ademilson Marques de Oliveira Segundo Agamben, o direito não está vinculado à justiça nem à verdade. Interessa ao direito apenas o procedimento e a conclusão jurídica. Para Foucault, o direito é associado a um poder soberano tradicional que não abrange as novas estruturas de poder que surgem no âmbito da biopolítica.  A dúvida de Agamben em relação a Foucault é simples: apesar de falar sobre a biopolítica, Foucault não explorou as consequências drásticas da Modernidade, como a experiência dos campos de concentração e do poder de vida e morte sobre os indivíduos.  Agamben busca compreender essa mudança moderna nas relações entre zoé e bios, articulando a inclusão de zoé no bios, ou seja, a vida na política. Ele critica Foucault e alerta sobre as catastróficas consequências da identificação moderna entre natureza e política, destacando o poder que nos torna vulneráveis à morte, como nos campos de concentração.  Para Agamben, a despolitização moderna está relaciona...

Novos Horizontes Éticos: Dialogando com Lévinas, Nietzsche e Habermas

Autor: Ademilson Marques de Oliveira Sem dúvidas, a ética de Lévinas representa uma ruptura radical com o modernismo. A introdução do outro contradiz a ética do "eu", presente no übermensch de Nietzsche, e destaca a necessidade de encontrar, conhecer, reconhecer e acolher o outro. Pensar a ética com a perspectiva do outro é uma abordagem inovadora, apesar de filósofos anteriores, como Husserl, terem abordado o tema de forma insatisfatória. Ainda assim, é importante refletir sobre até que ponto a proposição ética com base na comunicação em comunidade é moderna e até que ponto a transcende.  Embora as contribuições de Habermas para a filosofia contemporânea sejam relevantes, especialmente no que diz respeito à linguagem e à ética, algumas questões permanecem obscuras e merecem críticas.  A universalidade habermasiana não se resume ao consenso de um grupo discursivo, mas sim a um assentimento universal. No entanto, é difícil alcançar esse ideal, já que nem todos os sujeitos ...

Fenomenologia e Modernidade: Uma Nova Perspectiva na Psicologia da Consciência

Autor: Ademilson Marques de Oliveira Pode-se caracterizar a Fen omenologia como uma alternativa das abordagens psicológicas da consciência, buscando uma nova possibilidade de objetividade.  O método fenomenológico está baseado em três reduções, onde a  fenomenol ogia propõe-se a ser uma ciência que produza conhecimento de essências.    A primeira é a fenomenológica, ou epaché, na qual a presença de um objeto na consciência é tão somente descrita, sem pressupostos teóricos, sem conexões de causa e efeito e também sem o emprego de premissas usualmente tidas como certas pelo o senso-comum. A descrição de algo presente à consciência não implica dizer que esse algo existia de fato.  A segunda redução é eidética, que consiste numa reflexão para intuir a essência do objeto presente na consciência. O conhecimento da essência dos objetos, consoante a fenomenologia, é impossível e importante.  Tal método seria aplicável até mesmos as entidades matemáticas.  ...

Em busca do super-homem: o legado filosófico de Nietzsche

Autor: Ademilson Marques de Oliveira Nietzsche nasceu em 15 de outubro de 1844, em Rocken, nas proximidades de Lutzen. Estudou Filologia Clássica em Bonn e em Lípsia, onde teve por mestre Friedrich Ritschl. Foi um estudioso da obra de Schopenhauer, esta leitura foi de bastante importância para o desenvolvimento do pensamento deste teórico. Nas pegadas de Schopenhauer, Nietzsche entende que a vida é cruel e cega irracionalidade, dor e destruição. Só a arte pode oferecer ao indivíduo a força e a capacidade de enfrentar a dor da vida. Em 1872, o filósofo em sua obra: " O nascimento da tragédia " procura mostrar que a civilização grega pré-socrática explodiu em vigoroso sentido trágico, que é aceitação extasiada da vida, coragem diante do destino e exaltação dos valores vitais. No anúncio da "morte de Deus", para Nietzsche o homem elimina o mundo do sobrenatural, mas, assim, fazendo, infringe também o quadro dos valore e ideais a ele ligados. E, assim, nos enc...

Marxismo: A Crítica Radical de Karl Marx e a Luta de Classes na Sociedade

Autor: Ademilson Marques de Oliveira O pensamento de Marx formou-se em contato e contra a Filosofia de Hegel, as ideias da esquerda hegeliana, as obras dos economistas clássicos e as obras dos socialistas que ele mesmo chamaria de utópico. O afastamento de Marx em relação a Hegel fica claro desde os seus primeiros escritos, a começar pela crítica da Filosofia do direito de Hegel (1844). Marx foi um grande crítico, como vemos de Hegel, dos economistas clássicos, do socialismo utópico, de Prodhon, da religião entre outras. Para Marx, no mundo burguês, a filosofia, a arte seriam sempre expressões de um determinado traço marcante no mundo. Esses mecanismos eram forças da elite dominante com a finalidade de dominar a classe pobre da sociedade. Portanto, em Karl Marx, deparamos em suas obras escritos importantes sobre a " A Luta de Classes". Nesta obra é encontrada a afirmação de que a história de toda a sociedade que existiu até o momento é a história de lutas de classes. ...

Desvelando o Divino: As Três Experiências Fundamentais na Religião

Autor: Ademilson Marques de Oliveira Segundo Welte, na religião, o ser humano se encontra determinado e referido a Deus. No entanto, em um tempo de crescente ceticismo e descrença em Deus, é importante identificar como Deus pode ser vivido na religião a partir das experiências humanas comuns.  Welte propõe que existem três experiências fundamentais que permitem falar, de forma geral, sobre a experiência do divino: a experiência da existência, a experiência do nada e a experiência do sentido.  A primeira proposição considerada por ele para encontrar indícios da experiência religiosa é a existência, ou seja, o fato de estarmos presentes em nosso mundo. A segunda proposição, a experiência fundamental, é a percepção de que houve um tempo em que não estávamos aqui e haverá um tempo em que não estaremos mais, o que ele chama de experiência do nada. Já a terceira proposição, a presença íntima do nada na existência tem importantes implicações, que inclui a constante busca por sentid...

Explorando a Fenomenologia da Experiência Religiosa em Perspectiva de Rudolf Otto e Mircea Eliade

Autor: Ademilson Marques de Oliveira A investigação da fenomenologia da experiência religiosa é fundamental para compreendermos as semelhanças e diferenças entre as diversas religiões, como defendem Rudolf Otto e Mircea Eliade. Por outro lado, Mircea Eliade destaca a importância de compreender o sagrado em contraste com o profano, ressaltando a natureza reversível do tempo sagrado, que remete a eventos míticos. Rudolf Otto, influenciado por Kant, propôs uma teoria da experiência religiosa na qual descreve o contato com uma realidade "luminosa", afirmando que conceitos não podem ser aplicados a Deus.  Rodolfo Otto foi Filósofo, Teólogo e Historiador das Religiões. Influenciado por Kant, Otto negava que os conceitos pudessem ser aplicados a Deus, mas, um tanto paradoxalmente, apresentou uma teoria da experiência religiosa, onde fala do contato com uma realidade bastante peculiar, à qual ele deu o nome de "numinoso". Para Hegel, a religião é a "consciência ...